Noite de 7 de Junho de 2008
A reportagem possível num dia de incertezas!

Tivemos que esperar pelas 22 horas para dar início à “Noites de Poesia em Vermoim” deste mês.
Desta vez tivemos que concorrer com o futebol, o teatro e o calor da noite e, quem sabe, com o início dos Santos Populares!!!
Mesmo assim (os poetas são resistentes!!!) tivemos uma casa bem composta, apesar das ausências da Maria Mamede (que ficou, mesmo à última hora, impossibilitada de estar presente) e o companheiro de mesa e representante da Junta de Freguesia, Mário Jorge, ter que estar presente na abertura da peça de teatro a realizar no Centro Comunitário.
Chamei para a mesa a Milú, que substituiu a Maria Mamede, e Pedro Gomes que representou Mário Jorge. Compostas as “formalidades” dei início à Noite de Poesia, com as mensagens da Maria Mamede e do Mário Jorge e, dando a palavra a Pedro Gomes, este apresentou o projecto musical para esta Noite.
A mais recente “aquisição” da Filarmonia, a jovem Maria Luísa, de dez anos, apresentou-nos o seu virtuosismo em saxofone, na interpretação de vários trechos musicais.
Seguiram-se depois, no tema desta Noite, as intervenções poéticas de José Gomes, Armindo Cardoso, Adérito Morais, Fernanda Garcias, Maria Mamede (pela voz de José Gomes), Inocêncio Vidal, Manuela Miguéns, Ercília Freitas, Jaime Gonçalves e Teresa Gonçalves.
A Poesia na Net esteve a cargo de José Gomes que leu poemas de Paula Raposo, Margusta, João Diogo e Helena Maltez.
Nos momentos musicais tivemos as intervenções a solo de Maria Luísa, um dueto entre esta e e a sua professora Bárbara (saxofone), Pedro Gomes e Marta Pires (clarinete). Foi um serão agradável.
O poema que escolhi desta primeira parte foi este autêntico hino ao Rio Leça, declamado pelo autor Adérito Morais:
Rio Leça
— Olá meu Rio Leça, como estás?
Há muito tempo já que te não via.
Não sei se vais em frente se p’ra trás
E o teu cheiro é mesmo a porcaria.
— Tens razão, meu amigo, eu não sou
Aquele rio lindo idolatrado.
O meu tempo de glória já passou,
Agora sou um velho e acabado.
— Não, Rio, não estás velho nem morreste
Tua vida futura é real.
Para ser grande foi que tu nasceste,
O mais belo de todo o Portugal.
— Não vês, meu grande amigo, os assassinos
Que mataram meus filhos adorados.
Peixes grandes e os mais pequeninos,
Riqueza dos meus tempos já passados?
O rio vai correndo, lentamente,
Sem rumo, sem destino, sem calor,
Num sofrimento atroz, constantemente,
Entre dejectos, lama e fedor.
Mas quem irá salvar o nosso rio?
Talvez denunciando os maldosos.
Para quem de direito um desafio:
Julgar já e punir os criminosos.
Até lá, viveremos da saudade,
Dum rio que a todos nos marcou.
Recordações da nossa mocidade,
A tristeza que nunca nos deixou.
Vou pedir ao maiato que não esqueça:
Teremos que salvar o Rio Leça!
Adérito Morais
(declamado pelo próprio, nesta Sessão)
Na segunda parte, no tema “Livre” intervieram Adérito Morais (um jovem que fará 90 anos já no próximo ano!), Armindo Cardoso, Fernanda Garcias, António Castilho Dias, Jaime Gonçalves, Teresa Gonçalves, José Gomes, Inocêncio Vidal e Ercília Freitas.
Desta segunda parte escolhi este texto poético da Teresa Gonçalves:
Rosto do meu rio
Fixo o olhar no rio iluminado pelas luzes da noite, fascinada, pelos calmos reflexos que se movem numa suave ondulação, num estender de águas abraçando o cais deserto.
Quero parar o tempo…
Quero-o parar, sem o rodopio quotidiano, freneticamente pesado (qual açoite desferido em todas as direcções de olhos vendados), como se, a vida, seja para ser vivida num jogo de cabra cega.
Um pouco mais além, as pontes em meia lua, sem o frenesim do dia ou a febre do princípio da noite. Unem-se ao abraço do rio, o brilho das estrelas, a luz do luar e o meu pensamento.
Aos olhos da noite, a corrente deste belo espelho natural, sussurra a contagem das horas, como um relógio sem tempo, num sereno desafio à minha incapacidade de o prender. Não consigo parar o tempo. Só o pensamento. Em fugazes hesitações , cruza o limiar da realidade ao limiar da imaginação, arrastando consigo, o frenético quotidiano do novo dia.
Este, é o rosto do meu Rio de espelhos de ouro, numa noite calma de luar, onde me dispo e me procuro.
Teresa Gonçalves
(declamado pela própria, nesta Sessão)
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“Pé no Charco”, volta a levar a sua peça de teatro, Rapsódia Vicentina, de Gil Vicente, no próximo sábado, 14 de Junho, no Salão Paroquial de Vermoim.

Otília Martel, poeta que frequentemente nos visita em Vermoim, vai fazer o lançamento promocional do livro “Menina Marota – Um desnudar de alma”, que terá lugar do dia 15 de Junho de 2008, domingo, pelas 16 horas, na Fnac do Gaiashopping.
A apresentação da obra estará a cargo do Dr. Fernando Peixoto.
O tema proposto para a próxima Noites de Poesia em Vermoim (dia 5 de Julho, pelas 21,30 horas) é “HORAS”.
Contamos com a vossa habitual colaboração e entusiasmo.
Então, até Julho!
José Gomes