O tema da Noite de Poesia de Vermoim referente ao mês de Abril foi "O Despertar da Terra". Folheando os trabalhos que nos entregaram durante a Sessão ou que recebemos pela Net, muitos deles são originais na sua originalidade e muito bem imaginados. A inspiração esteve presente neste punhado de poetas que nos têm brindado com a sua presença.
Desta vez escolhemos uma figura que nos vem acompanhando há muitos anos e que empresta às nossas Noites de Poesia um certo ar de Teatro ou não estivessem eles (O Cesário e a Lourdes Costa) ligados directamente ao Teatro.
António Cesário Guedes da Costa (1945, Rechousa de Cima, Canelas, Vila nova de Gaia), publicou, em 2002, o seu primeiro livro, Memórias da Memória e, em 2007, publicou o segundo, Morto Por Te Ver – Cartas de um Soldado à Namorada (Angola, 1967-1969).
Tem alguns poemas publicados em Antologias, nomeadamente em O Porto em Poesia, da Junta de Freguesia de Paranhos, e Noites de Poesia em Vermoim, 1º e 2º volumes, da Junta de Freguesia de Vermoim.
Faz parte da Companhia Teatral de Ramalde, da Associação Grupo Dramático 26 de Janeiro.
Com outros companheiros, fundou, em 1965, o extinto Círculo Cultural Soares dos Reis, em Gaia, onde «partilhou poemas e discussões sobre o tudo de que julgavam saber imenso, e o nada de que afinal talvez soubessem alguma coisa».
Lourdes Costa e Cesário Costa são sempre uma caixinha de surpresas. Desta vez o Cesário presenteou-nos com este trabalho. Ora apreciem-no... deixei ficar o texto como me entregaram, acrescentando apenas para os mais curiosos as plantas nele referidas:
O DESPERTAR DA TERRA
Ainda o sol mal despertava, ensonado,
no algodão de nuvens negras,
já as flores da terra se soerguiam na quietude da Serra.
A Violeta Brava sacudia as últimas gotas do orvalho.
Espadana-dos-Montes, planta bulbosa,
folhas espadâneas e estreitas,
flores rosa-púrpura,
dispostas em espiga unilateral,
era a sua cor.
Difundida pelos campos era
a Azeda,
flor nefasta para o gado,
mas que crianças chupavam suas folhas ácidas.
Odorífera
a Camomila,
facilita a digestão
depois da infusão.
Nos muros abrigados, encontrei o
Capuz-de-fradinho,
inflorescente na base e vermelho escuro no topo.
A amarela, vulgaríssima,
Cinco-em-rama, nos combros,
juntamente com outras, fazem baixar a febre;
tem presentes o tanino e um álcool (tormentol).
O Corrijó, flores em espigas ovóides,
utilizada na alimentação dos animais.
Parecendo débil,
a Dedaleira suporta facilmente frios intensos.
Durante a noite ou quando chove, fecha-se.
Durante o dia segue o movimento do Sol:
flores em capítulos branco-rosadas
com centro amarelo.
Muitas mais havia, a botar aqui,
mas fico-me com esta, que me enterneceu,
me lembrou a Páscoa
e me fez despertar da terra.
A de cor púrpura-violácea,
do Cardo-leiteiro,
flor robusta com folhas maculadas de branco
(segundo a lenda, as manchas leitosas que assinalam as folhas junto das nervuras, são vestígios das gotas de leite caídas do seio de Maria quando ocultava Jesus das perseguições de Herodes).
flor robusta com folhas maculadas de branco que me enterneceu,
me lembrou a Páscoa
e me fez despertar da terra.
Cesário Costa, 2 de Abril 2011
As flores atrás referidas:
 |
Violeta Brava |
 |
Espadana-dos-Montes |
 |
Azedas
|
Etiquetas: Noites de Poesia em Vermoim - os poemas