terça-feira, 26 de abril de 2011

Noites de Poesia em Vermoim - Os poemas de Abril - 3

Continuando com o tema da Noite de Poesia de Vermoim de Abril ("O Despertar da Terra"), fomos escolher este poema da Irene Lamolinairie.

Para quem não conhece esta poeta promissora, aqui fica uma pequena biografia:



Irene Correia Lamolinairie, nasceu em Matosinhos, a 28 de Setembro de 1938. Durante 50 anos viveu no Porto e, actualmente, vive em Moreira da Maia.
Profissionalmente, foi empresária têxtil e quando se reformou, dedicou-se às artes decorativas, à poesia e como autodidacta, à pintura. Alguns dos seus quadros integraram seis exposições colectivas. O seu primeiro poema “Arco-Íris”, ganhou o primeiro prémio num Concurso da Paróquia de Ramalde, no Porto.
Foi aluna da Universidade Sénior de Matosinhos Rotary, onde criou uma Tuna, que dirigiu como Maestrina. Escreveu, ainda, letras adaptadas a temas musicais conhecidos, que são cantados pela Tuna.
Colaborou em várias Antologias Poéticas (Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, Universidade Sénior de Matosinhos Rotary e Junta de Freguesia de Vermoim).
Escreveu o livro de poesia “Na mesma Viagem”, em parceria com Maria Georgina Pontes (Maio de 2009).
O seu segundo livro de poesia “Vida e Sonhos” foi apresentado ao público no dia 28 de Setembro de 2009 na Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho, na Maia.
Actualmente frequenta o Instituto Cultural da Maia, Universidade Sénior, onde está a formar uma nova Tuna.

Deixo-vos com o seu poema:



O DESPERTAR DA TERRA


Terra,
Vê se despertas mansinho
Estamos na Primavera
Veste de novo as árvores
Para que todos os pássaros
Possam fazer o seu ninho
Terra mãe
Ventre fecundo
Despertas sempre prá vida
Ofereces-nos o alimento
E a terra toda florida
Desperta, mas sem lamento
Não estragues as searas
Cuida bem do nosso pão
E do Alentejo profundo
Mãe terra,
Tu cá no norte
Tens carácter, és mais dura
O teu torrão é mais forte
E no teu socalco perdura
Nosso Douro vinhateiro
As uvas brilhando ao sol
Mostram a sua doçura
E a oliveira oferece-nos
Azeitona verde, ou preta
Mesmo a crescer na meseta
Oferece-nos o azeite
Para alumiar a ternura
Mãe terra,
Não despertes a montanha
Deixa-a num sono profundo
Oferece-lhe verde, muito verde
Muitas e muitas nascentes  
Pra não faltar água ao Mundo
E se por acaso, algum dia
Despertares do teu torpor
Renova com harmonia
Dá ao Mundo todo o amor
E mesmo sendo maltratada
Não despertes em agonia
Pensa no mal que causavas
Ao libertares a tua energia
Mas se assim acontecer
Nada podemos fazer
Lá se vão montes e vales
Lá se vai a arquitectura
Lá se vão ricos e pobres
Toda e qualquer criatura
Lá se vai a passarada
Lá se vai a melodia
Nós nascemos para morrer
Todos voltamos à terra
Para renascer um dia

Se acaso eu não chegar
Até ao meu entardecer
Procura não despertar
Antes de eu adormecer.


           Irene Lamolinairie  



Espero encontrar-vos no dia 7 de Maio, na nossa tertúlia deste mês. O tema é MIMOSAS.

Um abraço,

José Gomes


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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Noites de Poesia em Vermoim - Os poemas de Abril - 2


O tema da Noite de Poesia de Vermoim referente ao mês de Abril foi "O Despertar da Terra". Folheando os trabalhos que nos entregaram durante a Sessão ou que recebemos pela Net, muitos deles são originais na sua originalidade e muito bem imaginados. A inspiração esteve presente neste punhado de poetas que nos têm brindado com a sua presença.

Desta vez escolhemos uma figura que nos vem acompanhando há muitos anos e que empresta às nossas Noites de Poesia um certo ar de Teatro ou não estivessem eles (O Cesário e a Lourdes Costa) ligados directamente ao Teatro.







António Cesário Guedes da Costa (1945, Rechousa de Cima, Canelas, Vila nova de Gaia), publicou, em 2002, o seu primeiro livro, Memórias da Memória e, em 2007, publicou o segundo, Morto Por Te Ver – Cartas de um Soldado à Namorada (Angola, 1967-1969).

Tem alguns poemas publicados em Antologias, nomeadamente em O Porto em Poesia, da Junta de Freguesia de Paranhos, e Noites de Poesia em Vermoim, 1º e 2º volumes, da Junta de Freguesia de Vermoim.
Faz parte da Companhia Teatral de Ramalde, da Associação Grupo Dramático 26 de Janeiro.
Com outros companheiros, fundou, em 1965, o extinto Círculo Cultural Soares dos Reis, em Gaia, onde «partilhou poemas e discussões sobre o tudo de que julgavam saber imenso, e o nada de que afinal talvez soubessem alguma coisa».


Lourdes Costa e Cesário Costa são sempre uma caixinha de surpresas. Desta vez o Cesário presenteou-nos com este trabalho. Ora apreciem-no... deixei ficar o texto como me entregaram, acrescentando apenas para os mais curiosos as plantas nele referidas:





                         O DESPERTAR DA TERRA


Ainda o sol mal despertava, ensonado,
no algodão de nuvens negras,
já as flores da terra se soerguiam na quietude da Serra.

A Violeta Brava sacudia as últimas gotas do orvalho.

Espadana-dos-Montes, planta bulbosa,
folhas espadâneas e estreitas,
flores rosa-púrpura,
dispostas em espiga unilateral,
era a sua cor.

Difundida pelos campos era
a Azeda,
flor nefasta para o gado,
mas que crianças chupavam suas folhas ácidas.

Odorífera
a Camomila,
facilita a digestão
depois da infusão.

Nos muros abrigados, encontrei o
Capuz-de-fradinho,
inflorescente na base e vermelho escuro no topo.

A amarela, vulgaríssima,
Cinco-em-rama, nos combros,
juntamente com outras, fazem baixar a febre;
tem presentes o tanino e um álcool (tormentol).

O Corrijó, flores em espigas ovóides,
utilizada na alimentação dos animais.

Parecendo débil,
a Dedaleira suporta facilmente frios intensos.
Durante a noite ou quando chove, fecha-se.
Durante o dia segue o movimento do Sol:
flores em capítulos branco-rosadas
com centro amarelo.

Muitas mais havia, a botar aqui,
mas fico-me com esta, que me enterneceu,
me lembrou a Páscoa
e me fez despertar da terra.


A de cor púrpura-violácea,
do Cardo-leiteiro,
flor robusta com folhas maculadas de branco
(segundo a lenda, as manchas leitosas que assinalam as folhas junto das nervuras, são vestígios das gotas de leite caídas do seio de Maria quando ocultava Jesus das perseguições de Herodes).
flor robusta com folhas maculadas de branco que me enterneceu,
me lembrou a Páscoa
e me fez despertar da terra.

Cesário Costa, 2 de Abril 2011



As flores atrás referidas:

Violeta Brava

Espadana-dos-Montes
Azedas


Camomila

Capuz-de-Fradinho

Cinco-em-rama



Corrijó


Dedaleira



Cardo-leiteiro







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domingo, 17 de abril de 2011

Noites de Poesia em Vermoim - Os poemas de Abril - 1

A Tertúlia de Abril em Vermoim foi muito rica, não só pela presença da nossa convidada Maria Isabel Rosete mas também pelos trabalhos lidos e declamados pelos poetas presentes. A rubrica "Poesia na Net" esteve, também, bem representada. Desta, escolhemos o poema, "O Despertar da Terra" de José Carlos Moutinho:



José Carlos Moutinho nasceu em Sobralinho, Vila Franca de Xira, em 1 de Junho de 1944.
Com 13 anos foi para Angola onde trabalhou e estudou até 1973, sempre na área farmacêutica. Fez o curso Industrial. Em 1973, saiu de Angola e foi para o Brasil. Voltou a Portugal em 1975. Regressou ao Brasil em 1976, voltando definitivamente para Portugal em 1980. Foi delegado de informação médica. Nos últimos anos foi empresário da restauração, com restaurante na Maia, onde vive. Actualmente está aposentado. Gosta de fotografia e de poesia.
Em 19 de Fevereiro de 2011 foi o lançamento do seu primeiro livro “Cais da Alma”.




                             O despertar da Terra

          Da parafernália das galáxias, da via láctea,
          Das estrelas, planetas, cometas e afins,
          Eis que nos foi destinado este planeta,
          Redondo, não exageradamente grande,
          Mas demasiadamente pequeno,
          Para caber tantos males.
          Terra, nome sonoro e belo
          De um globo, que gira a uma velocidade enorme,
          Sem nos apercebermos.
          A Terra dorme, no seu giro rotativo,
          Adormece na escuridão da oposição solar,
          Acorda num relaxamento encantado,
          Da aurora, lá no horizonte,
          Depois que o sol a rodeou,
          Na sua translação e a ilumina.
          Mas nem sempre a Terra é pacífica;
          Ela agita-se, treme, irrita-se
          Inunda-se, revolta-se
          E desperta em violência assustadora,
          Reduz à insignificância,
          Todos os seres que a habitam.
          A Terra, pode ser bela, paradisíaca,
          Mas quando ela realmente acorda
          Do seu sono silencioso e das suas entranhas
          Brotam pedaços de revolta,
          A Terra pode ser pavorosa.
          Porque na verdade a Terra despertou!

         José Carlos Moutinho





Não esquecer:

A próxima Noite de Poesia em Vermoim é em 7 de Maio de 2011 e o tema proposto é

MIMOSAS




Um abraço,

José Gomes



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terça-feira, 8 de março de 2011

Noites de Poesia em Vermoim - Os poemas de Março - 1


Lourdes Costa (Maria de Lourdes da Silva Marcelino Martins da Costa), nasceu em Leiria em 1945 e vive em Vila Nova de Gaia desde 1962.

É aposentada da Portugal Telecom, onde trabalhou desde 1964.
Escreve desde os 12/13 anos e tem um livro de poemas publicado - «Lua Enevoada».
Alguns dos seus poemas estão publicadas em antologias: «Porto em Poesia», «Novíssimos», «Noites de Poesia em Vermoim», I e II volumes; etc... 
Participa nas Noites de Poesia em Vermoim desde 2002.
Faz Teatro desde os 5 anos, do Jardim-Escola João de Deus até ao Teatro de escola da MPF.
Participou no Grupo de Teatro Jovem do Seminário de Cristo-Rei em Vila Nova de Gaia. Fez parte do Grupo de Teatro dos CTT do Porto e do Grupo Coral dos CTT do Porto.
Actualmente é membro da Companhia Teatral de Ramalde.



Dos poemas que a Lourdes declamou no passado dia 5 de Março de 2011, escolhi este. Espero que seja tanto do vosso agrado como foi do meu:




QUE CANTAM OS POETAS DE HOJE?


Um papel em branco,
uma caneta pousada
e para um poeta
não é preciso mais nada.

E sento-me compenetrada
no que hei-de escrever:
penso no tema proposto
e nesse momento
foge-me o pensamento,
distraio-me um bocado
e faço uma relação
para o supermercado:
falta pão,
macarrão
feijão.

Estremeço,
olho o papel,
nem sequer me reconheço,
não sou isto que pareço!...
Não me vem inspiração?
Entro em alta pressão.
Arredo o papel para o lado.
Faço daqui a um bocado.

De repente
-  ai, a sopa! -
legumes para partir,
salada para arranjar,
São outras prioridades,
mas fico a pensar no tema
-  quando escrever o poema
digo isto, isto, aquilo,
-  conforme a inspiração.
Já está a chuviscar!
Ai a roupa para apanhar.
Lá se foi a ocasião.

Que cantam os poetas de hoje?
Confesso não sei, não sei.
Chego mesmo à conclusão
nesta cabeça de poeta,
hoje em dia,
falta-lhe muita magia
e vai grande confusão.

Queria escrever com garra,
muita uva, pouca parra,
coisa linda de se ler...
Não tive tempo.
Nada consegui escrever.

Lourdes Costa



Obrigado, Lourdes, pela participação.

Até um dia destes.

Um abraço,


José Gomes


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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Noites de Poesia em Vermoim - Os poemas de Fevereiro - 2

Hoje vamos publicar um poema de um amigo, Armindo Fernandes Cardoso, que nos acompanha nas Noites de Poesia há muitos anos e a quem nos liga uma grande amizade. Os seus poemas são agradáveis, bem construídos e apresentados pelo próprio com uma prévia explicação do conteúdo, muitas vezes num agradável tom satírico, como poderão ver neste poema inserido no tema da última Noite de Poesia em Vermoim.
Espero que gostem,

Um abraço,
José Gomes

              CARNAVAL

Até que em fim que chegaste,
para a nossa festa continuar,
até o teu mês mudaste,
apenas para enganar;
Tinhas o coração em Fevereiro,
mas mudaste-o para Março,
quiseste ser o primeiro,
do, “tanto durmo como faço”;
E agora…,
agora, chamas-lhe “adágio popular”,
são cantigas para “fartar”,
e quem sabe, vão ter termo;
Carnaval em Março, vai ser de rachar,
mas a culpa…,
a culpa é do governo.

Já se anuncia a chegada do “REI MOMO”,
toques de trombeta cortam o espaço,
andantes cavaleiros vêm a compasso;
Dão vivas a um “rei carnavalesco solteiro”…,
solteiro mas “MOMO”,
e, se tudo correr bem, com o que tem,
só mais tarde vai ser “corno”;
Terá discurso igual, que logo se esquecerá,
é como o ocaso dum por do sol,
que não fazia parte do rol,
e que nunca recordará.

Anos e anos a fio,
o disfarce dos pobres, era o dominó;
Era alugado e pagamento adiantado,
pois, o pobre disfarçado,
já metia menos dó;
Hoje tudo é diferente,
anda-se um ano com a cara tapada,
toda a gente tem o seu próprio visual;
Por terra, muita árvore decepada,
mas os “madeireiros”,
são os primeiros…,
cara destapada…, é Carnaval.


Armindo Fernandes Cardoso, 5/3/2011





Espero que tenham gostado. Para a semana há mais, se os autores o autorizarem, claro!



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