Noites de Poesia em Vermoim - Os poemas de Abril - 3
Continuando com o tema da Noite de Poesia de Vermoim de Abril ("O Despertar da Terra"), fomos escolher este poema da Irene Lamolinairie.
Para quem não conhece esta poeta promissora, aqui fica uma pequena biografia:
Irene Correia Lamolinairie, nasceu em Matosinhos, a 28 de Setembro de 1938. Durante 50 anos viveu no Porto e, actualmente, vive em Moreira da Maia.
Profissionalmente, foi empresária têxtil e quando se reformou, dedicou-se às artes decorativas, à poesia e como autodidacta, à pintura. Alguns dos seus quadros integraram seis exposições colectivas. O seu primeiro poema “Arco-Íris”, ganhou o primeiro prémio num Concurso da Paróquia de Ramalde, no Porto.
Foi aluna da Universidade Sénior de Matosinhos Rotary, onde criou uma Tuna, que dirigiu como Maestrina. Escreveu, ainda, letras adaptadas a temas musicais conhecidos, que são cantados pela Tuna.
Colaborou em várias Antologias Poéticas (Grupo Dramático e Musical Flor de Infesta, Universidade Sénior de Matosinhos Rotary e Junta de Freguesia de Vermoim).
Escreveu o livro de poesia “Na mesma Viagem”, em parceria com Maria Georgina Pontes (Maio de 2009).
O seu segundo livro de poesia “Vida e Sonhos” foi apresentado ao público no dia 28 de Setembro de 2009 na Biblioteca Municipal Doutor José Vieira de Carvalho, na Maia.
Actualmente frequenta o Instituto Cultural da Maia, Universidade Sénior, onde está a formar uma nova Tuna.
Deixo-vos com o seu poema:
O DESPERTAR DA TERRA
Terra,
Vê se despertas mansinho
Estamos na Primavera
Veste de novo as árvores
Para que todos os pássaros
Possam fazer o seu ninho
Terra mãe
Ventre fecundo
Despertas sempre prá vida
Ofereces-nos o alimento
E a terra toda florida
Desperta, mas sem lamento
Não estragues as searas
Cuida bem do nosso pão
E do Alentejo profundo
Mãe terra,
Tu cá no norte
Tens carácter, és mais dura
O teu torrão é mais forte
E no teu socalco perdura
Nosso Douro vinhateiro
As uvas brilhando ao sol
Mostram a sua doçura
E a oliveira oferece-nos
Azeitona verde, ou preta
Mesmo a crescer na meseta
Oferece-nos o azeite
Para alumiar a ternura
Mãe terra,
Não despertes a montanha
Deixa-a num sono profundo
Oferece-lhe verde, muito verde
Muitas e muitas nascentes
Pra não faltar água ao Mundo
E se por acaso, algum dia
Despertares do teu torpor
Renova com harmonia
Dá ao Mundo todo o amor
E mesmo sendo maltratada
Não despertes em agonia
Pensa no mal que causavas
Ao libertares a tua energia
Mas se assim acontecer
Nada podemos fazer
Lá se vão montes e vales
Lá se vai a arquitectura
Lá se vão ricos e pobres
Toda e qualquer criatura
Lá se vai a passarada
Lá se vai a melodia
Nós nascemos para morrer
Todos voltamos à terra
Para renascer um dia
Se acaso eu não chegar
Até ao meu entardecer
Procura não despertar
Antes de eu adormecer.
Irene Lamolinairie
Espero encontrar-vos no dia 7 de Maio, na nossa tertúlia deste mês. O tema é MIMOSAS.
Um abraço,
José Gomes
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